O Specsfy ajuda você a transformar uma necessidade em uma entrega comprovada. Você explica o que precisa, e o agente organiza a definição, o plano, os testes e a implementação na mesma especificação.
A metodologia existe para responder, durante todo o trabalho, a três perguntas:
- O que será entregue?
- O que comprova que o plano está pronto?
- Qual evidência comprova que a entrega funciona?
Você não precisa decorar comandos nem escolher cada skill. O agente identifica a etapa atual, anuncia as transições e mantém o trabalho na mesma conversa.
Antes de iniciar uma descoberta, o setup lê o sistema que já existe. Ele reúne instruções do projeto, manifests, configuração, código, rotas, dados, integrações, interfaces, testes e documentação. Essa leitura evita sugestões desconectadas da aplicação e registra o que precisa continuar igual antes de propor uma mudança.
Uma única especificação
Cada mudança escolhida possui uma única fonte normativa. O caminho permite que você reconheça a sequência e o assunto ao listar o diretório de specs:
specs/<estado>/<NNNN>-<slug>/spec.mdNNNN é o número da spec, como 0001. O slug identifica o assunto, como
recuperar-senha. Assim, o caminho 0001-recuperar-senha pode ser localizado
sem abrir o arquivo.
A pasta também mostra o estado operacional da entrega:
draft → defined → planned → in-progress → review → completedO campo Status dentro da spec espelha essa pasta. Use specsfy transition
para mover o pacote inteiro, e não mova arquivos manualmente. completed/
mantém o histórico das entregas finalizadas.
Ao abrir a spec.md, você encontra o comportamento esperado, o plano e as
provas que permitem conferir o estado atual:
- o problema e o resultado esperado.
- as pessoas afetadas e as regras que precisam ser respeitadas.
- histórias, requisitos e limites.
- exemplos de comportamento escritos em BDD.
- as escolhas registradas, as possíveis falhas e o plano técnico.
- tarefas, testes e evidências da execução.
- gates e estado atual da entrega.
O plano e as tarefas ficam dentro da própria spec. O Specsfy não cria
plan.md ou tasks.md, então a explicação da entrega não se divide entre
arquivos com estados diferentes.
Effort e conversa contínua
Cada spec inclui Effort, uma estimativa de 1 a 10 da capacidade de raciocínio
e execução necessária. A pontuação não é prazo: 1–2 indica trabalho atômico,
3–6 mudança local, 7–8 integração ou migração e 9–10 uma entrega com alta
incerteza ou revisão humana frequente.
O entrevistador do Specsfy conversa com você quando uma lacuna puder mudar a próxima etapa. Ele atualiza a justificativa de Effort conforme a definição, o plano e a execução ganham forma. A Inbox continua sem perguntas.
A Referência do método detalha a escala de Effort, os perfis exibidos pelo progresso, os estados e os gates apresentados neste guia.
Interfaces fazem parte da definição
Quando a entrega cria ou muda uma tela usada por pessoas, o Specsfy pergunta
antes do código como a experiência deve funcionar. A conversa cobre as telas,
o fluxo de informação, os menus e a navegação principal, os campos e validações do formulário, a composição e o
formato de cada ação, como página, painel lateral, modal ou outra alternativa.
As opções usam texto completo, e você sempre pode escolher Escrever outra resposta, Gere outras opções ou Avançar.
Antes das perguntas, o Specsfy analisa a stack e o sistema atual quando ele existe. Ele observa rotas, telas, componentes, conteúdo, permissões, estados e testes para preservar o que já funciona e sugerir uma continuação coerente. O agente não troca React, Tailwind, shadcn/ui ou outra tecnologia por suposição.
Um CRUD com interface não é considerado pronto apenas por ter banco, serviço ou API. A spec registra telas, menus, formulário, navegação, estados de carregamento, vazio, erro e sucesso, além do uso por teclado. O plano gera tarefas e testes para essa interface antes da implementação.
Essas tarefas aparecem em uma Fase de interface própria na seção 14 da spec.
Cada tela tem uma tarefa com caminho, comportamento e teste de interação.
Da ideia até o código
Nem todo texto precisa virar uma entrega imediatamente. Você escolhe o destino de acordo com o quanto já definiu:
- Uma ideia preserva seu texto em
specs/inbox/sem perguntas e sem autorizar implementação. - O backlog guarda uma proposta que merece organização e refinamento, mas
ainda não foi escolhida para entrega. Ela vive em
specs/backlog/. - A spec representa uma entrega escolhida. A partir dela, definição, plano, testes, código e evidências passam a seguir o mesmo contrato.
O percurso mais completo preserva a ideia, aprofunda as definições e só chega ao código depois do plano e do RED:
inbox → backlog → spec → plano e RED → código → validaçãoVocê também pode começar com “implemente recuperação de senha”. O agente só altera o código depois de verificar as definições ausentes e conduzir as etapas correspondentes.
Os três atos
Os atos são grupos de trabalho. Cada um termina com um gate, que é um ponto de controle baseado em evidência. Um gate aprovado não significa apenas “parece bom”: significa que as condições daquela etapa foram verificadas.
Escolha o destino da ideia
Objetivo: preservar a ideia sem transformá-la imediatamente em spec.
Sua participação: você informa a ideia e escolhe quando vale refiná-la ou promovê-la. Se solicitar apenas a captura, o agente não inicia o refinamento.
Prova técnica: a captura recebe um arquivo próprio em specs/inbox/. Se
você escolher o refinamento, ela segue para o backlog. A spec.md normativa
só aparece depois de uma promoção explícita.
Essa separação mantém a caixa de entrada leve e impede que toda observação se transforme em código ou em uma especificação extensa.
Ato I — Definir o que precisa mudar
Objetivo: entender o problema e transformar a intenção em comportamento que possa ser conferido.
Sua participação: você responde apenas às dúvidas que realmente mudam a
entrega. O agente reaproveita o que já foi informado e apresenta uma pergunta
numerada por rodada. Ela inclui três ou mais opções, Escrever outra resposta,
Gere outras opções e Avançar desde a primeira rodada. O ciclo faz no
máximo oito perguntas por área: cada conjunto de respostas atualiza a análise.
O avanço mantém
uma confirmação para você encerrar a área, responder depois ou retomar agora.
O encerramento é respeitado até uma reabertura explícita. O adiamento mantém os
pontos registrados e o Definition Gate pendente até serem resolvidos.
Prova técnica: a spec registra a finalidade, as pessoas afetadas, os requisitos, os limites e os cenários BDD. A validação procura contradições, definições em aberto e dúvidas que impedem o planejamento.
O Ato I termina quando a validação registra este gate na spec.md:
Definition Gate: PassedEsse estado permite que o agente organize o plano a partir dos requisitos e cenários já conferidos. O código ainda não foi alterado, e o Plan Gate continua pendente.
Ato II — Planejar e preparar o RED
Objetivo: definir como a mudança será construída e demonstrar que os testes conseguem detectar a ausência do novo comportamento.
Sua participação: você confirma escolhas de produto ou estratégia que alteram o resultado. Os detalhes técnicos que o repositório consegue comprovar podem ser derivados do código, da stack e das regras do projeto.
Prova técnica: o agente registra as tarefas, os contratos, as informações afetadas, as possíveis falhas e a reversibilidade na spec. Depois, transforma os cenários BDD em testes TDD executáveis e observa o RED, uma falha causada pela funcionalidade que ainda não existe.
O Ato II termina quando as tarefas e os testes permitem registrar:
Plan Gate: PassedO RED precisa falhar pelo motivo esperado. Erro de sintaxe, dependência ausente ou ambiente quebrado não prova que o teste protege o comportamento.
Ato III — Entregar e conferir o resultado
Objetivo: implementar cada tarefa e reunir evidências atuais de que o resultado atende à definição.
Sua participação: você acompanha novas escolhas ou mudanças de escopo. O agente registra cada comando executado e apresenta o resultado verificável, sem exigir que você conduza os ciclos de teste.
Prova técnica: cada tarefa de código parte de um teste que falha pelo motivo esperado, recebe a menor implementação capaz de deixá-lo verde e termina com refatoração protegida pela suíte:
RED → GREEN → REFACTOR- RED: o teste falha pela razão esperada.
- GREEN: a menor implementação faz o teste passar.
- REFACTOR: o código é melhorado sem mudar o comportamento.
Depois, o agente executa o aceite e a regressão completa, verifica a ligação entre cada requisito e seu teste, atualiza os registros permanentes do projeto e reconstrói a documentação aplicável.
O Ato III termina quando o aceite, a regressão e a documentação permitem registrar:
Delivery Gate: PassedStatus: ReviewingDepois do aceite final, a spec passa por review/ para completed/, com
Status: Complete. A entrega concluída possui código e evidência atual. Você pode
abrir a spec e localizar os comandos, os resultados e os testes que comprovam
esse estado.
Como BDD e TDD trabalham juntos
O BDD (desenvolvimento orientado por comportamento) descreve o resultado que produto e desenvolvimento precisam discutir. O TDD (desenvolvimento orientado por testes) transforma esse comportamento em uma prova executável no projeto.
O BDD descreve o comportamento em uma linguagem que produto, desenvolvimento e testes conseguem discutir. Por exemplo:
Cenário: cliente solicita recuperação de senha Dado que existe um cadastro para o e-mail informado Quando o cliente solicita a recuperação Então o sistema confirma a solicitação sem revelar informações privadasEsse cenário mostra a regra e o resultado esperado, mas o texto Gherkin não é executado como uma suíte separada pelo Specsfy.
O TDD transforma o comportamento em testes executáveis na ferramenta já usada pelo projeto. Primeiro o teste falha pelo motivo correto. Depois, a implementação faz o teste passar. Em resumo:
- BDD ajuda a definir o comportamento que importa.
- TDD comprova que o código apresenta esse comportamento.
Essa ligação evita uma descrição clara sem prova automática e também impede que um teste técnico seja aceito sem representar a necessidade registrada.
O agente conduz as transições
As skills dividem responsabilidades, mas você não precisa operar o fluxo como uma lista de comandos. Quando uma etapa depende de outra, o agente:
- informa de qual skill está saindo e para qual está indo.
- explica a pendência que motivou a transição.
- resolve a pendência na skill responsável.
- retorna à etapa anterior quando necessário.
Por exemplo, se a implementação encontrar um teste ausente, o agente volta ao planejamento e à preparação TDD, obtém um RED válido e só então retoma o código. Ele não aprova um gate apenas para contornar a pendência.
Mudanças durante o trabalho
Se a necessidade mudar depois que a spec já existe, explique a alteração em
linguagem normal. O novo requisito entra na mesma spec.md, sem criar uma
segunda especificação.
O Specsfy reabre somente as provas que perderam validade:
- Uma mudança de comportamento reabre definição, plano e entrega.
- Uma mudança apenas na estratégia técnica reabre plano e entrega.
- Uma evidência desatualizada exige somente a repetição da validação correspondente.
Use specsfy-update-spec para
incorporar a nova instrução. A skill informa quais gates perderam validade e
retoma a primeira etapa afetada.
Informações que permanecem entre entregas
Além da spec de cada entrega, o projeto mantém informações que valem para o sistema inteiro:
PROJECT.md: finalidade, capacidades e limites do projeto..specsfy/STACK.md: tecnologias estruturais e suas evidências..specsfy/RULES.md: regras confirmadas para o trabalho..specsfy/DATABASE.md: visão da persistência e das relações.
O agente consulta esses arquivos antes de planejar e os revisa durante a implementação. Assim, uma nova entrega começa com a arquitetura, as convenções e o banco já documentados.
O que você encontra ao final
Uma mudança completa deixa na spec.md um caminho auditável entre requisito,
teste, tarefa e evidência:
- a intenção e as escolhas estão na spec.
- cada requisito aponta para condições de aceite.
- os cenários BDD explicam o comportamento.
- os testes TDD demonstram o resultado no código.
- as tarefas registram execução e evidências.
- os gates mostram quais etapas foram realmente comprovadas.
- a documentação reflete o sistema implementado.
Para consultar esse estado sem alterar arquivos, use
specsfy-progress.
Limites do método
O método não define requisitos importantes sem você, não transforma toda ideia em spec e não trata pesquisa como requisito aprovado. Também não aceita erro de ambiente como RED nem substitui os testes e as ferramentas do seu projeto.
Justificativa de tamanho
Este guia mantém os três atos, os gates e a relação entre BDD e TDD na mesma página para que você possa comparar o percurso completo sem alternar entre explicações parciais.
O guia de instalação prepara o CLI e o framework. Depois,
o primeiro projeto aplica os três atos a uma página de
boas-vindas e mostra os gates na spec.md.